“Falta de comprometimento nos tirou grandes oportunidades no RN” - Jornal Potiguar

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

“Falta de comprometimento nos tirou grandes oportunidades no RN”

Doutora em Logística e professora do IFRN, Karla Motta acompanhou de perto oportunidades perdidas pelo estado nos últimos 12 anos na corrida pelo crescimento econômico

Karla Motta, Doutora em Logística e professora do IFRN

Na história recente do RN, os projetos de desenvolvimento concebidos por diferentes governos foram tão ambiciosos quanto inconsistentes.
Para a Doutora em Engenharia de Produção na Área Logística e professora do IFRN, Karla Motta, o estado perdeu uma de suas grandes oportunidades lá atrás ao não se engajar no Plano Nacional de Logística, ainda nos segundos mandatos dos governos Lula e Wilma de Faria.
“Quem tinha um plano pronto, com viabilidade ambiental concluído, acessou os recursos da época e saiu na frente nessa corrida”, lembra.
Enquanto outros estados atenderam ao chamado, enviando projetos e estudos de viabilidade, o RN não conseguiu se organizar para apresentar um plano consistente que atendesse minimamente as exigências técnicas.
De lá para cá, o estado passou a perder espaço para o Ceará, Paraíba e Pernambuco, cujas grandes obras de infraestrutura prosperavam a olhos vistos desde então. Era 2006, ano em que o Ministério dos Transportes lançou o Plano Nacional de Transportes.
Nessa entrevista, Karla Motta traça a história dos anos que culminaram no que vivemos hoje — em que construir uma infraestrutura, por razões econômicas, ficou ainda mais distante da concretização.
Acompanhe a entrevista:
Jornal Agora RN: O que deu errado para Rio Grande no Norte nessa corrida pelo desenvolvimento logístico?
Karla Mota: Eu diria que foi uma somatória de fatores fruto do descompromisso do Estado para com seus projetos estratégicos. Uma falta de compromissos dos gestores com objetivos de longo prazo. Quando se fala em logística se pensa sempre com 20 anos ou mais de antecedência. Nada é para hoje. Tudo é para o futuro.
JARN: A senhora poderia citar algo grande que perdermos ao não participar adequadamente do Plano Nacional de Infraestrutura naquela época?
KM: Perdemos nosso lugar na Transnordestina, por exemplo, ainda no segundo governo Lula.
JARN: Mas houve algum benefício para o estado naquela época?
KM: Lembro perfeitamente do Porto de Natal ter se beneficiado muito do relacionamento com o governo federal naquela época. Comprou-se o guindaste, inaugurou-se um terceiro berço e foram plantadas as bases para o Terminal de Passageiros. E isso fez com que o porto saísse do atraso que vivia.
JARN: Por que os projetos começavam e não eram concluídos?
KM: Porque não tinham dono. Eu acho que as secretarias individualmente nada podem fazer se, acima delas, não houver um real comprometimento dos gestores dentro de uma política de Estado. Num plano secundário, influi nisso também o comprometimento de um secretário que na área de infraestrutura pressione para fazer as coisas andarem.
JARN: Pressione de que maneira?
KM: Que diga: vamos realizar e promover um Plano de Logística para o estado; vamos elaborar os estudos de viabilidade para a implantação das obras; vamos fazer uma mobilização da bancada federal para capturar os recursos ministeriais. E nada disso houve.
JARN: E agora?
KM: Agora, pela situação econômica em que o País se encontra, vai ser muito, mas muito mais difícil.
JARN: Alguma alternativa à vista?
KM: Creio que uma mobilização e ação integradas do governo, empresários e academia para transformar a realidade da logística no RN seria um ótimo recomeço.

Fonte: Agora RN

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