A vacinação vem se evidenciando cada vez mais importante no combate à Covid-19, a partir da análise dos dados da pandemia. Um estudo do Comitê de Especialistas para o Enfrentamento da Pandemia pela Covid-19 da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) reforça essa situação, demonstrando ainda a necessidade de cobrança do passaporte vacinal para proteção da sociedade. De acordo com a análise, a comparação entre as taxas de letalidade do atual momento da pandemia no Rio Grande do Norte e a primeira onda, em 2020, aponta para um índice 4,7 vezes menor nesta onda. Caso os índices fossem iguais, 505 vidas a mais teriam sido perdidas este ano para a Covid-19.

Segundo o levantamento feito pelo Comitê e a avaliação dos dados feita pelo professor Ângelo Roncalli, na atual onda (dez/2021 a jan/22) no RM foram registrados 21.956 casos de Covid-19 e 133 óbitos, com uma letalidade de 0,6. Importante salientar ainda a subnotificação de casos, diante da dificuldade para realização de testes, como apontam relatos públicos. Se a terceira onda tivesse ocorrido nas mesmas condições da primeira (maio a julho de 2020), quando não havia vacina disponível, o número de óbitos chegaria a 638.

O estudo concluiu também que se a terceira onda estivesse ocorrendo nas condições iguais às da segunda (março a julho de 2021), quando a campanha de vacinação estava em velocidade longe da ideal, o total de óbitos seria de 400, ou seja, 267 óbitos a mais.

“Os dados são muito claros em mostrar como a vacinação tem um papel fundamental. No momento atual, com a chegada da variante Ômicron, temos uma taxa de letalidade muito baixa quando comparada às taxas das outras ondas, apesar de vermos um quantitativo de infecções muito alto. Atribuímos esse quadro à vacinação, porque as pessoas que estão hoje sendo hospitalizadas com quadros graves não estão vacinadas ou estão com seu ciclo vacinal incompleto, faltando a segunda ou a terceira dose, que é muito importante para fazer um papel protetor contra a nova variante. Então fica o alerta para as pessoas se vacinarem e se protegerem, pois as pessoas vacinadas que contraem a covid estão desenvolvendo as formas leves da doença, sem necessidade de serem hospitalizadas”, explicou Janeusa Souto, professora titular do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFRN e integrante do Comitê de Especialistas.

A professora defende, ainda, a importância do passaporte vacinal como forma de incentivar a vacinação junto à população que ainda não tomou as doses ou não completou o esquema vacinal. “A cobrança do passaporte vacinal deve ser vista como uma política de saúde pública, no sentido de estimular a população não vacinada a buscar a vacinação e se proteger, é um direito coletivo à saúde e essencial ao controle da pandemia”, ressaltou.

96,6% das pessoas que foram vacinadas não morreram por Covid no RN, diz coordenador do LAIS

96,6% dos vacinados não morreram pela covid-19 no Rio Grande do Norte. Foi o que disse Ricardo Valentim, coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em entrevista concedida ao Agora RN. Ainda segundo Valentim, mesmo com aumento no registro de infectados, o número de mortes pela doença não aumentou.

“O aumento atual no número de casos não tem repercutido nas internações e nos óbitos. Em novembro, nós tivemos uma média de 4.7 óbitos por dia. Atualmente, nós estamos com 2.86. Pode ser que haja um aumento, mas os números de agora ainda é abaixo do que nós tínhamos em novembro”, disse Valentim.

De acordo com o coordenador do LAIS, grande parte das pessoas que estão internadas pelo coronavírus estão com a vacinação irregular. “A maior parte das pessoas que estão internadas hoje são não vacinadas ou são pessoas que não completaram o seu esquema vacinal.”

O pesquisador confirmou que houve mortes de vacinados no RN, mas que estas pessoas já possuíam fatores que agravariam a doença. “Eram pessoas com várias comorbidades, já eram idosas ou tinham tomado vacina há algum tempo, e não tomou a terceira dose.” Segundo Valentim, 96,6 % das pessoas que foram vacinadas não morreram no RN.

Valentim também defendeu a vacinação infantil no Rio Grande do Norte. “Há mais óbitos entre crianças não vacinadas do que entre as que foram vacinadas. A vacinação em crianças foi fundamental para que o Brasil pudesse erradicar a poliomielite, o sarampo… Várias doenças foram erradicadas graças à vacinação em crianças. Então vacinar crianças é seguro. Nós temos publicações científicas revisadas por pares que validam isso, além da própria Anvisa, uma das agências reguladoras mais rigorosas do mundo, que chancela isso.”

Agora RN

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